Amor à camisa? Conciliando razão e paixão no ambiente do futebol profissional

Nome: Fábio Padilha Alves
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 31/03/2010
Orientador:

Nome Papelordem decrescente
Otávio Guimarães Tavares da Silva Orientador

Banca:

Nome Papelordem decrescente
Próspero Brum Paoli Examinador Externo
Amarílio Ferreira Neto Examinador Interno
Otávio Guimarães Tavares da Silva Orientador

Resumo: Notamos que a racionalização das práticas que envolvem o futebol profissional no
Brasil está cada vez mais presente, intensificada, sobretudo, a partir da promulgação
da Lei 9615/98 (Lei Pelé). Com isso, presenciamos a inserção de elementos
empresariais na administração dos clubes que transformaram este esporte em um
grande negócio. Outra característica marcante do futebol profissional, intensificada
no Brasil nos últimos anos, é a grande rotatividade dos jogadores, favorecida pelo
aquecimento do mercado de pés-de-obra. Motivados, sobretudo, por questões
profissionais salário, condições de trabalho e visibilidade os atletas se deparam
com um cenário aparentemente novo nas relações que envolvem o futebol: a
necessidade de conciliar seus próprios interesses profissionais e a paixão que
envolve a relação do torcedor com seu clube. Existe, portanto, um campo de
tensões entre lógicas contrapostas com as quais os atletas precisam conviver.
Assim, esse trabalho busca investigar a existência de tais tensões no futebol
profissional, verificando como os atletas constroem suas estratégias de mediação
das tensões que envolvem a racionalidade da prática profissional e a paixão da
torcida. Para isso, foram entrevistados nove atletas e ex-atletas profissionais que
jogaram por vários clubes durante sua carreira futebolística. Através da pesquisa
constatou-se que esta maior mercadorização do futebol tem influência decisiva na
relação ente atletas, torcedores e clubes. Neste contexto, merece destaque o fato de
que os jogadores consideram importante permanecer um tempo maior no clube, sob
a alegação de que esta é uma condição fundamental para a criação de vínculos
afetivos, participação na comunidade imaginada da torcida e se tornar um ídolo. No
entanto, com a maior facilidade de ganhos salariais advindas das transações, os
mesmos privilegiam o rodar ao invés de permanecer em um mesmo clube. Em
síntese, podemos dizer que as tentativas de conciliação mapeadas não significam
nem uma atitude calculista, nem uma negação da dimensão prática, racional do
futebol profissional, mas uma elaboração específica, necessária a uma prática que,
mesmo em sua dimensão profissional, parece resistir à racionalização.

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