Efeito das estratégias de foco de atenção no equilíbrio e na atividade muscular de praticantes de futebol e corrida
Nome: ANDERSON RODRIGUES DELUNARDO
Data de publicação: 11/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| DANIELA GODOI JACOMASSI | Examinador Externo |
| NATALIA MADALENA RINALDI | Presidente |
| RODRIGO LEAL DE QUEIROZ THOMAZ DE AQUINO | Examinador Interno |
Resumo: Em uma sessão de treinamento, é comum que treinadores forneçam instruções e comandos verbais a seus atletas, direcionando o foco de atenção a elementos externos (foco externo) ou internos (foco interno) do movimento realizado. O aumento do desempenho ao manter a atenção voltada a elementos externos do movimento realizado tem sido verificado em diferentes estudos, que evidenciam o cuidado que o treinador deve tomar ao selecionar o conteúdo de sua instrução. Nestes estudos, ainda, verifica-se o apontamento das estratégias de foco externo como efetivas em reduzir a oscilação postural. Visto que o aumento da eficiência do controle postural pode ter associações à otimização de movimentos esportivos, bem como a redução de quedas e lesões, estes resultados indicam as estratégias de foco externo como uma ferramenta disponível para treinadores de diferentes modalidades esportivas. Todavia, diferentes práticas esportivas acontecem em diferentes ambientes, mais imprevisíveis, como o futebol, e mais previsíveis, como a corrida. Somado as características motoras de cada modalidades, estas diferenças podem explicar as adaptações e regulações posturais únicas assumidas por seus praticantes. Ainda não está totalmente elucidado, no entanto, o papel e os efeitos das estratégias de foco de atenção no desempenho e regulações posturais destes diferentes perfis de indivíduos. Diante disto, este estudo teve como objetivo investigar os efeitos do foco sob a eficácia (oscilação) e eficiência (atividade muscular) do controle postural em praticantes de futebol e corrida. Modalidades estas que possuem características motoras e ambientais distintas, potencialmente levando ao desenvolvimento de estratégias e regulações posturais únicas. Para isto, foram aplicados nesta pesquisa experimental os seguintes procedimentos metodológicos: Participaram do estudo 45 jovens-adultos (18-40 anos) distribuídos em grupos corrida (15), futebol (15) e controle (15). O controle postural foi avaliado em uma plataforma de força, em superfície estável e instável, em apoio bipodal e unipodal. Foi feito a coleta do sinal eletromiográfico (EMG) dos músculos tibial anterior, gastrocnêmio medial, reto femoral e bíceps femoral do membro não dominante. As condições experimentais foram organizadas em dois blocos. No primeiro bloco, os participantes receberam a instrução “fique o mais parado possível”. Em seguida, foi vestido uma faixa com laser na região do tornozelo do participante, que realizou as tentativas do segundo bloco, nas condições: 1) Foco Interno, onde a instrução recebida foi “reduza ao máximo os movimentos do seu tornozelo”, 2) Foco Externo e 3) Foco Externo com Feedback, onde a instrução para ambas foi “reduza ao máximo os movimentos do laser”. Nesta última, o movimento do laser sendo visível ao participante. As variáveis analisadas foram: 1) a velocidade média e amplitude média de oscilação (análise global), 2) tempo médio entre picos, valor médio dos picos, e distância média entre picos sucessivos (análise estrutural), 3) espectro médio da potência do CoP nos intervalos de 0.0 – 0.3, 0.3 – 1.0, e 1.0 – 3.0 Hz, (análise espectral), e 4) Indice de co-contração e envelope linear, descritores de atividade muscular. Maior eficácia do controle postural (redução da oscilação) foi observada nas estratégias de foco externo, sobretudo combinadas com o feedback, em comparação ao foco interno e condição controle. O foco interno também promoveu redução da oscilação frente à condição controle. Os descritores estruturais indicaram comandos posturais mais estáveis e eficazes nas condições de foco em relação ao controle, sem diferenças entre tipos de foco, enquanto a análise espectral evidenciou que o direcionamento atencional pode modular a utilização de informações sensoriais para a estabilização postural. Contudo, os efeitos do foco externo sobre a eficiência (atividade muscular) do controle postural foram heterogêneos, revelando maior ativação em parte dos músculos e menor em outros, dificultando a associação consistente das estratégias de foco externo a maior eficiência do controle postural. Ainda, a maior parte das diferenças entre grupos concentrou-se na atividade eletromiográfica, sugerindo que os participantes recorreram a níveis distintos de esforço muscular para alcançar resultados semelhantes par aa oscilação e dinâmicas do controle postural. Acredita-se que a escassez (nos demais descritores) de diferenças entre as modalidades tenha limitado a detecção de interações mais consistentes entre foco e tipos de modalidade esportiva, reveladas apenas para o índice de coativação. Conclui-se que os resultados do presente estudo reforçam os efeitos positivos do foco externo na eficácia e dinâmicas do controle postural. Entretanto, os resultados heterogêneos do foco externo sobre a eficiência (atividade muscular) indicam cautela ao associar foco à maior eficiência do controle postural. Por fim, apesar da escassez de interações significativas entre grupo e condição de foco para os demais descritores, os resultados encontrados para atividade muscular sugerem, com cautela, que os efeitos de foco podem ser modulados pela prática esportiva. Estes resultados indicam a possibilidade de seguir com futuras investigações, incluindo análises e procedimentos experimentais, a fim de compreender melhor os efeitos do foco sobre o controle postural.
Palavras-chaves: foco de atenção, controle postural, eletromiografia, esporte.
