A internacionalização da capoeira: práticas de apropriação na Argentina, Polônia e Itália

Nome: Fabio Luiz Loureiro
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 15/12/2021
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
André da Silva Mello Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Amarílio Ferreira Neto Orientador
André da Silva Mello Orientador
José Luiz Cirqueira Falcão Examinador Externo
Roberto Camargos Malcher Kanitz Examinador Externo
Wagner dos Santos Examinador Interno

Resumo: As pesquisas que estudam o processo de internacionalização da capoeira têm focalizado, majoritariamente, a opinião de quem a propaga no exterior e não as representações dos seus praticantes. Considerando o número incipiente de investigações centradas nas representações dos praticantes estrangeiros, o presente estudo busca superar essa lacuna e tem como o objetivo principal analisar as práticas de apropriação dessa manifestação cultural operada por capoeiristas do Grupo de Capoeira Beribazu na Argentina, Polônia e Itália. Trata-se de um estudo qualitativo de natureza descritivo-interpretativa, realizado com 24 participantes: seis argentinos, dez poloneses e oito italianos. Os dados foram produzidos por meio do grupo focal com os 24 participantes e da observação participante, com a inserção nos locais onde o grupo desenvolve seus trabalhos, vivenciando os seus eventos e suas atividades cotidianas, como batismos, graduações, formaturas, cursos práticos de capoeira, palestras, formações, aulas e atividades culturais. Os resultados indicam que a capoeira tem sido apropriada de diferentes maneiras nos contextos investigados. Os dados também sinalizam que, na relação com a capoeira, os argentinos valorizam, para além da prática, figuras do aprender associadas às dimensões relacionais e conceituais dessa manifestação cultural. Embora haja o interesse pela preservação das tradições e dos rituais da capoeira, o consumo produtivo que os participantes argentinos dela fazem denota apropriação autoral, marcada pelo contexto sociocultural em que estão inseridos e por questões de ordem pessoal. Na Polônia, verifica-se que está em curso um processo de apropriação e de ressignificação dessa manifestação cultural no país. Ao mesmo tempo em que a capoeira apresenta características singulares, provenientes das tradições locais e das particularidades dos sujeitos que a consomem, aspectos culturais contidos em sua bagagem motora e simbólica também impactam na forma de pensar e agir dos poloneses, configurando um movimento de circularidade cultural. Os poloneses se orgulham da capoeira construída nas últimas três décadas no país, que gera representações identitárias entre eles, articulando aspectos da cultura local com as tradições dessa manifestação afro-brasileira. Para os italianos, constatamos que o significado do grupo de capoeira está para além de um coletivo que se reúne com o objetivo de desenvolver uma prática corporal. Trata-se de um espaço em que seus praticantes compartilham amor, afeto, respeito e vida em família, no sentido amplo da palavra. Estão juntos, cooperando para o sucesso do grupo, empenhados no desenvolvimento da cultura que foram apresentados e já não se consideram estrangeiros, mas capoeiristas. Eles expressam verbalmente sua identidade e apresentam domínio do léxico necessário para compreender a amplitude do sentido de viver a capoeira. Independentemente do contexto, percebemos, em todos os países analisados, um processo ativo de apropriação cultural, em que a estética da recepção denota formas singulares de conceber e se relacionar com a capoeira, trazendo novos elementos para ampliar a compreensão dos processos de internacionalização dessa manifestação afro-diaspórica.

Palavras-chave: Capoeira. Internacionalização. Práticas de apropriação.

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