Inclusão da criança com autismo na Educação Física escolar

Nome: Gabriel Vighini Garozzi
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 26/06/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
José Francisco Chicon Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Ivone Martins de Oliveira Examinador Externo
José Francisco Chicon Orientador
Maria das Graças Carvalho Silva de Sá Examinador Interno

Resumo: Na busca por construir uma Educação Física mais inclusiva, atenta e acolhedora aos diferentes sujeitos que frequentam o espaço escolar e que têm direito a um ensino público, gratuito e de qualidade, este estudo tem como objetivo geral compreender o processo de inclusão de uma criança com autismo nas aulas de Educação Física escolar. Para tanto, estabelece dois objetivos específicos: a) analisar o percurso de desenvolvimento de uma criança com autismo nos diferentes momentos da aula de Educação Física; e b) identificar as estratégias pedagógicas adotadas pela professora para possibilitar a inserção, permanência e aprendizagem de uma criança com autismo nas aulas de Educação Física. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, configurando-se como um estudo de caso do tipo etnográfico. A abordagem histórico-cultural compôs a base teórica e metodológica deste trabalho, partilhando do referencial teórico de Vigotski e seus colaboradores, que concebem o desenvolvimento dos sujeitos a partir das relações e interações que lhe são oportunizadas nos processos mediados. Os sujeitos foram uma professora de Educação Física e 25 alunos, de ambos os sexos, com idades entre sete e oito anos, sendo um com autismo. Todos os educandos pertencem a uma turma regular das séries iniciais do ensino fundamental, de uma escola pública do município de Vitória-ES. O processo de intervenção foi realizado no período de fevereiro a junho de 2019, com o acompanhamento de três aulas semanais de Educação Física. Para além desse momento, todas as segundas-feiras, a professora e o pesquisador se reuniam para avaliação e planejamento, durante uma hora e trinta minutos. As informações foram produzidas e registradas por meio dos seguintes instrumentos: observação participante, filmagem, diário de campo e entrevista semiestruturada. Os procedimentos de análise das informações produzidas ocorreram com base na análise microgenética, tomando em consideração os dois momentos identificados por nós na análise das aulas da professora: a) momento da roda de conversa inicial da aula; e b) momento da vivência com o conteúdo da ginástica. No momento da roda de conversa inicial da aula, os resultados mostram que é importante a professora estabelecer uma comunicação constante com o aluno com autismo, buscando dar sentido às suas ações no contexto da aula. Indicam que a demonstração e a instrução verbal foram elementos potentes do trabalho pedagógico para que o educando participasse das atividades propostas. Além disso, apontam que a fixação apresentada pelo aluno com autismo em objetos e coisas do seu interesse se constituiu como um aspecto potencial a ser explorado na aprendizagem do menino. Já no momento da vivência com o conteúdo da ginástica, destacam-se três estratégias interessantes para a inclusão do aluno com autismo no espaço-tempo das aulas de Educação Física: a reorganização da estrutura das atividades propostas, privilegiando a oferta de materiais e ações motoras que iam ao encontro do interesse do educando; a organização da turma em pequenos grupos, realizando as atividades na forma de circuito, que possibilitou uma maior aproximação entre o aluno e os colegas; e a sistematização de uma aula “aberta às experiências dos alunos”, que permitiu à professora atuar mais próxima ao aluno com autismo e aos outros educandos. A partir das reflexões realizadas, entendemos que, para a realização de um movimento de inclusão nas aulas de Educação Física, é necessário compreender a pessoa com deficiência/autismo como um sujeito que se constrói e se desenvolve no seio das relações sociais, culturais e históricas por intermédio da linguagem e da mediação do outro. Por fim, conclui que a deficiência em si não é responsável por traçar o destino do indivíduo, mas sim a forma como o meio social compreende e ressalta (ou não) o déficit é que vai definir as suas possibilidades de educação e desenvolvimento.

Palavras-chave: Educação Física escolar. Autismo infantil. Inclusão.

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