DO DESINTERESSE À COAUTORIA: o planejamento participativo como ferramenta de engajamento na Educação Física do Ensino Médio

Nome: ROBERTA DE CÁSSIA LOUZADA LOPES BENINCÁ

Data de publicação: 30/04/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
JOSÉ FRANCISCO CHICON Examinador Externo
UEBERSON RIBEIRO ALMEIDA Examinador Interno
ZENOLIA CHRISTINA CAMPOS FIGUEIREDO Presidente

Resumo: O presente estudo investiga o desinteresse e a autoexclusão de jovens do Ensino
Médio nas aulas de Educação Física, em contraposição, propõe uma intervenção
pedagógica fundamentada no planejamento participativo. A pesquisa emerge da
observação atenta da realidade escolar contemporânea, onde a crescente apatia
discente e a marginalização deste componente curricular ganham contornos
desafiadores diante do atual cenário educacional brasileiro pautado pelo Novíssimo
Ensino Médio. O objetivo central consiste em compreender as causas desse
distanciamento e desenvolver coletivamente uma unidade didática capaz de promover
o engajamento e o protagonismo juvenil na EEEFM “Professor Claudionor Ribeiro” no
município de Cachoeiro de Itapemirim. A pesquisa foi desenvolvida com 36 estudantes
do Ensino Médio matriculados na turma do 2ºM02, durante o 2º e 3º trimestre letivo
de 2025. O percurso metodológico adota a pesquisa-intervenção de natureza
qualitativa estruturada em etapas de diagnóstico participativo, elaboração conjunta da
unidade didática, aplicação prática e avaliação contínua (formativa). Os dados foram
construídos por meio de questionários, rodas de escuta ativa, diários de campo e
análise das produções dos estudantes. O diagnóstico inicial revelou que o expressivo
afastamento das aulas decorria da repetição exaustiva da monocultura esportiva de
um ensino silenciador e da ausência de sentido nas atividades ofertadas. A partir de
um processo ancorado na escuta sensível, os educandos assumiram o papel de
coautores do planejamento, selecionando vivências diversificadas que abrangeram os
diferentes tipos de jogos e brincadeiras. Durante as intervenções pedagógicas,
procurou-se mitigar o desinteresse e demonstrar uma Educação Física que realmente
fizesse sentido para as juventudes. Os resultados demonstraram uma transformação
estrutural no ambiente de aprendizagem, alcançando aprovação total de satisfação
dos sujeitos participantes ao final do projeto. A superação do reducionismo esportivo
aliada à mediação flexível e acolhedora fomentou um espaço de segurança
emocional, respeito às diferenças e equidade, viabilizando a integração plena de todos
os perfis discentes, incluindo a participação ativa de estudantes com necessidades
educacionais específicas. A experiência evidenciou que a desmotivação estudantil
não representa uma condição inevitável, mas sim um sintoma da inércia curricular e
de metodologias excludentes. A adoção do planejamento participativo e a expansão
do repertório cultural ressignificam a práxis docente e validam a urgência de uma
Educação Física escolar sintonizada com as reais aspirações da juventude.

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