Influência do treinamento físico aeróbio sobre o perfil cardiometabólico e risco cirúrgico em pacientes com obesidade pré-cirurgia bariátrica

Nome: EDUARDA DE PAULA GUASTI

Data de publicação: 23/07/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANA PAULA LIMA LEOPOLDO Presidente
DANILO SALES BOCALINI Examinador Interno
DIJON HENRIQUE SALOMÉ DE CAMPOS Examinador Externo

Resumo: A obesidade é um grave problema de saúde pública, definida como doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que apresenta risco à saúde e qualidade de vida. Entre as estratégias terapêuticas disponíveis, a cirurgia bariátrica destaca-se como intervenção eficaz para pacientes com obesidade grave e comorbidades associadas, promovendo perda ponderal significativa. Estudos apontam que a preparação pré-operatória desempenha papel fundamental para o sucesso cirúrgico, sendo o exercício físico uma importante ferramenta para melhora da aptidão funcional, composição corporal, qualidade de vida e redução do risco cirúrgico e de complicações pós-operatórias. Nesse contexto, o presente estudo investigou os efeitos de um programa de treinamento aeróbio supervisionado sobre parâmetros cardiometabólicos, risco cirúrgico e qualidade de vida em pacientes inscritos no Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (HUCAM/UFES). Participaram do estudo 12 pacientes com obesidade grave, de ambos os sexos, faixa etária de 30 a 60 anos, aptos para a realização da cirurgia bariátrica. O protocolo de treinamento físico foi realizado no período pré-cirurgia bariátrica, três vezes por semana, com intensidade leve a moderada e duração de 40 a 60 minutos, por um período de nove semanas. A composição corporal foi avaliada por meio da mensuração da estatura, massa e circunferências corpóreas, além da análise por bioimpedância. A avaliação cardiológica incluiu a aferição da pressão arterial, ausculta cardíaca e pulmonar, eletrocardiograma de repouso e teste ergométrico de esforço (TE). A qualidade de vida foi avaliada pelo questionário Medical Outcomes Study 36 item Short-Form Health Survey (SF-36) e o risco cirúrgico foi determinado por avaliação cardiológica baseada nos exames clínicos e complementares. Os dados foram tabulados e analisados no software GraphPad Prism 6.0 (GraphPad, San Diego, CA, EUA). Os dados foram expressos por meio de medidas de posição e variabilidade e frequência absoluta e relativa, sendo submetidos à análise estatística descritiva e inferencial, com verificação da normalidade pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. As comparações foram realizadas pelo Test t de Student para amostras pareadas e as associações pela correlação de Pearson, adotando-se ainda a classificação do tamanho de efeito proposta por Cohen em 1988. Após o período de treinamento físico, observou-se redução significativa das medidas de circunferência abdominal e circunferências de coxa direita e esquerda, com concomitante resposta no controle glicêmico entre os participantes. Em relação à classificação do IMC, não foram observadas mudanças no grau de obesidade ao final da intervenção. Na distribuição das condições clínicas e fatores de risco, variáveis como pré-diabetes, dislipidemia e tabagismo apresentaram redução percentual no momento pós-intervenção. No teste ergométrico, houve aumento significativo do consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) e melhora da aptidão cardiorrespiratória, evidenciada pela redução de indivíduos classificados como “Muito Fraco” e aumento nas categorias “Regular” e “Bom”. Os resultados também demonstraram impacto positivo no risco cirúrgico, uma vez que, dos 12 participantes inicialmente classificados com risco elevado, oito passaram a apresentar a classificação de risco baixo após o protocolo de treinamento. Em relação à qualidade de vida, os domínios dor, aspectos emocionais e saúde mental apresentaram melhora significativa após o treinamento. Além disso, observou-se correlação positiva entre a distância percorrida no teste ergométrico e o VO2 máx. com os escores de saúde mental, indicando que participantes com melhores escores nesse domínio apresentaram melhor aptidão cardiorrespiratória. Como conclusão do estudo, o treinamento aeróbio supervisionado no período pré-operatório da cirurgia bariátrica promoveu benefícios clínicos, funcionais e cardiometabólicos relevantes, com aumento da aptidão cardiorrespiratória, redução do risco cirúrgico e melhora da qualidade de vida dos participantes, reforçando a importância do exercício físico como estratégia complementar no preparo pré-operatório para a cirurgia bariátrica.

Palavras-chave: Obesidade; Cirurgia bariátrica; Treinamento aeróbio; Aptidão cardiorrespiratória; Qualidade de vida; Risco Cirúrgico.

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