É como se fosse uma Olimpíada de verdade’: sentidos construídos pelos atletas participantes dos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires 2018

Nome: Adriano Lopes de Souza
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 12/08/2020
Orientador:

Nome Papelordem decrescente
Otávio Guimarães Tavares da Silva Orientador

Banca:

Nome Papelordem decrescente
Flavio Valdir Kirst Examinador Externo
Alberto Reinaldo Reppold Filho Examinador Externo
Mariana Zuaneti Martins Examinador Interno
André da Silva Mello Examinador Interno
Otávio Guimarães Tavares da Silva Orientador

Resumo: O esporte é um fenômeno sociocultural de abrangência mundial, capaz de representar o fio condutor de um conjunto de relações, interações e valorações estabelecidas entre os indivíduos em diferentes épocas e contextos. A presente noção de que o esporte é uma ferramenta educativa, é, em grande medida, corolária da influência do Movimento Olímpico, na definição das formas legítimas da sua prática e dos valores que atribuímos a ele. Todavia, o próprio Barão Pierre de Coubertin (fundador deste Movimento) sinalizou em seus escritos que o esporte não é naturalmente educativo, pelo menos não em um sentido socialmente positivo, pois o mesmo necessita ser acompanhado por processos pedagógicos destinados a evidenciar o seu potencial educativo, denotando o seu caráter complexo, polissêmico e ambivalente. Tendo em vista que o fenômeno esportivo e cultural não está sujeito a uma incorporação passiva, acrítica e disciplinada de ideologias e valores por parte dos seus praticantes, o presente estudo apresenta como objetivo central compreender a experiência educacional dos jovens atletas de elite no cotidiano dos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, focalizando as suas consequentes formas de apropriações e construção de sentidos por meio da participação na programação cultural e educacional que lhe foi ofertada. Para tanto, esta investigação foi organizada sob os cânones de um delineamento metodológico que articula os pressupostos da revisão sistemática e da etnometodologia, sendo estruturada sob um corpus que envolve três dimensões de produção dos dados, quais sejam: 1- Revisão sistemática sobre as experiências dos jovens atletas de elite nas edições anteriores aos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires; 2- observação direta sobre o ambiente intercultural atinente à Vila Olímpica da Juventude de Buenos Aires, sistematizada em diário de campo; 3- Execução de entrevistas guiadas com os jovens atletas sul-americanos durante a realização deste megaevento. Já no que diz respeito à produção analítica, o presente estudo orienta-se pelo aporte teórico-metodológico certeauniano no que tange às noções de consumo produtivo, táticas e estratégias e lugar e espaço, bem como pelos pressupostos teórico-metodológicos da etnometodologia. Os resultados subjacentes à revisão sistemática apontaram que a participação em diferentes edições dos Jogos Olímpicos da Juventude pode promover um conjunto de aprendizagens valorativas aos jovens atletas. Entretanto, tais experiências educacionais parecem materializar-se muito mais a partir de reuniões e interações socioculturais de caráter informal entre eles. No
espaçotempo dos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, por sua vez, os resultados concernentes às observações indicam que a Vila Olímpica da Juventude é um ambiente deveras intercultural, cujo cotidiano é capaz de ensejar uma pluralidade de práticas tanto no plano estratégico, a partir da sua organização estrutural e da sua programação de atividades culturais e educacionais, quanto no plano tático, a partir dos usos e apropriações diferenciados dos jovens atletas, o quais mobilizam um conjunto de táticas de desvio ou resistência e táticas de bricolagem. Os resultados relativos às entrevistas guiadas, por sua vez, demonstram que os jovens atletas constroem sentidos polissêmicos a partir do consumo produtivo dos artefatos culturais e educacionais que lhes foram entregues, manifestando-se, especialmente, a partir de uma articulação criativa entre gosto, utilidade e aprendizagem. Além disso, embora figure uma parte significativa dos relatos dos jovens atletas sul-americanos e se apresente como horizonte das suas redes de práticas e sentidos, o notável foco na dimensão esportiva não lhes deslegitima as possibilidades culturais e educacionais na tessitura da trama cotidiana da Vila. Conclui-se, portanto, que o cenário ambivalente atrelado aos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires pode ter como manifestação alegórica a figura dos próprios atletas que, em dados momentos, podem jogar juntos, e, em outros, podem ser concorrentes, mas, em nenhum dos casos, são excludentes, posto que um só existe por causa do outro.

Palavras-chave: Esporte. Competição. Educação. Jovens Atletas olímpicos. Sentidos polissêmicos.

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